domingo, 12 de julho de 2015

Prólogo

        
     Azul, azul lunar. Assim está o céu, da mesma cor da blusa de lã que estou usando. É estranho pensar em coisas tão banais como essa. O que importa a cor do céu? Sei que provavelmente não é para lá que irei mesmo.
     Um zumbido soa ao longe. Percebo que são as minhas bolhas de ar que acabaram de emergir. Na verdade, o zumbido é bom. Um barulho naquele lugar tão calmo. Um lembrete de que ainda estou viva. Isso e o frio que me dá pontadas de dor nos ossos.
     Conforme o tempo passa, o ambiente escurece. Lembro-me, então, de como eu amo a noite, a sua escuridão e aquele satélite prateado que me lembram das íris dele. Dois poços de puro preto, mas com um brilho morno no fundo.
     Eu estou no fundo, mas aqui não há brilho, nem som. O restante de ar que havia em meus pulmões escapou segundos atrás em bolhas alegres no seu voo à superfície. E eu sei que o fim está próximo.
     Então, as enormes palmeiras acima de mim perdem, gradativamente, a cor, o foco, a vida. Assim como eu.


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